Antes de começarmos a falar sobre o tema especificamente, é importante dizer que a obra que ele relata que Jesus tinha um corpo fluídico foi recebida por uma única médium, chamada Émilie Collignon. Segundo crêem os adeptos desta obra, ela foi intermediária dos evangelistas Mateus, Lucas, Marcos e João, cuja escrita da obra foi coordenada por Moisés (aquele do velho testamento) e tinha como objetivo trazer a real interpretação sobre os evangelhos canônicos. E até onde se sabe, não havia uma espécie de Controle Universal dos Espíritos, ou seja, o que saía das vias mediúnicas de Émilie, iria direto para o livro.
Dentre os diversos pontos controversos da obra de Roustaing, como dizer que a encarnação é um castigo, que a transição do princípio espiritual para o princípio inteligente se dá por um fator externo e de que a evolução de Jesus foi em linha reta (nunca errou durante suas encarnações iniciais), a que trás mais atenção à obra é o fato de afirmar que Jesus enquanto esteve na terra tinha um corpo fluídico, ou seja, ele não tinha um corpo humano.
Para um estudioso atento da Codificação Espírita, esta afirmação não deve passar em branco. O simples fato de Jesus não ter nascido em um corpo humano, como pressupõe Roustaing, já faria da vida de Cristo uma farsa. Ele não estaria sujeito às mesmas provações que um ser humano comum estaria, ou seja, ele não estaria sujeito a nada do que um corpo humano comum está sujeito, como por exemplo, a dor da crucificação.
E ainda usando a própria Codificação Espírita como base, não podemos crer que Deus revogaria as próprias Leis (Leis da Natureza) para colocar apenas um ser que não nasceu pelas vias normais! Se Jesus tinha um corpo fluídico, ele "não nasceu", certo? Mas você pode perguntar, mas Maria não engravidou? Sim, ela engravidou! Para Roustaing, Maria de fato era virgem quando engravidou. Acho que eu não preciso dizer que isso é impossível, certo? Não é possível uma mulher engravidar sem ter relação sexual, ou você ainda acredita nessa estória?
Uma das teorias que nos levam a crer que esta obra teve tamanha repercussão, foi pelo fato de que a religião predominante da época era o Catolicismo. E esta obra foi mais socialmente aceita, por colocar Jesus com os mesmos atributos que os católicos criam, além de darem um colorido novo para a queda dos anjos. Isso fez com que vários nomes ilustres considerassem essa obra (Bezerra de Menezes e há quem diga que Chico Xavier também era Roustanguista), porque era mais fácil aceitá-la do que ter uma real ruptura com o sistema de crenças da época.

Para não tornar maior este artigo, encerro aqui trazendo uma manifestação do próprio Allan Kardec na Revista Espírita de junho de 1866, que dá por encerrado este assunto. Recomendo a leitura de todas as considerações de Kardec sobre as obras de Roustaing.
“Sem nos pronunciarmos pró ou contra essa teoria, diremos que ela é, pelo menos, hipotética (...) Sem prejulgar a obra de Roustaing, diremos que já foram feitas objeções sérias a essa teoria (do corpo fluídico de Jesus); em nossa opinião os fatos podem perfeitamente ser explicados sem sair das condições da humanidade corporal...”.(Grifo nosso)
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