quinta-feira, 9 de agosto de 2007

A Reforma Íntima

No decorrer da nossa vida nos deparamos com situações difíceis que requerem soluções complexas. Muito desse conhecimento que precisamos para resolvê-las adquirimos nas nossas vidas passadas e, é claro, na nossa vida presente. Tudo que aprendemos tem um objetivo: aperfeiçoar-nos.

Com a perfeição as provas aumentam, o nosso fardo vai ficando mais pesado e o jugo de Deus para conosco, da mesma forma; quem é mais culpável, um doutor da lei que comete um crime contra a sociedade ou um indouto analfabeto que o comete da mesma forma?

Por isso, não adianta querer só adquirir conhecimentos da vida espiritual se não tiver o desejo de colocá-los em prática. Todo o conhecimento deve estar no nosso cotidiano a fim de podermos dar o exemplo para os que nos cercam, assim como fez o Cristo. Senão a nossa evolução intelectual não andará ombro-a-ombro com nossa moral e precisaremos retornar a este plano a fim de recuperar o tempo perdido.

Ter a vontade da Reforma Íntima requer muito mais esforço do que ler centenas de livros sobre um determinado assunto. De nada adianta aprender algo agora e ter que voltar no futuro para colocá-lo em prática.

Muita Paz!

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Professar e Praticar

Atualmente temos centenas de religiões ao redor do mundo. Crenças das mais variadas, cada uma adaptada a uma sociedade, com seus costumes, ritos e cultos. Praticamente todos têm uma religião e esta exerce um papel importantíssimo na vida das pessoas, isso ninguém pode negar.

Todas as crenças têm o mesmo objetivo: dar ao homem, ao final de sua vida, uma certeza de que ele não vai simplesmente deixar de existir. Todas falam de alguma forma de vida extra corpórea. Uns falam da consciência desdobrada pelo espaço outros falam da vida do espírito, ou seja lá que nome seja dado, mas que sobrevive após o padecimento das funções biológicas do corpo humano.

Toda religião que tem por objetivo assegurar a vida após a morte, fala de um fim bom ou ruim, de acordo com as suas atitudes durante a sua estadia neste plano. Nada de bom é entregue de “mão beijada”; se você parar para pensar, constatará que tudo de melhor que a vida nos reserva requer, nem que seja um pouquinho só, de sofrimento. Pois através do sofrimento aprendemos a dar valor e amadurecemos material e espiritualmente. Como diz uma frase que eu li cujo autor eu desconheço: "By suffering comes wisdom."

Só que existe um pequeno problema nisso tudo. As pessoas confundem o praticar com o professar! Confessar publicamente que religião segue não é o suficiente, seria fácil demais. O que Deus quer de nós é a prática dos ensinamentos, pouco importa se você se intitula budista, umbandista, espírita, católico, evangélico, taoísta ou qualquer outra coisa. Deus não dá valor nem atenção exclusiva ao grupo social que você pertence, Deus dá valor ao conteúdo das tuas obras, da sinceridade do teu coração. Da vontade que você tem de amar a Deus sobre todas as coisas e também o próximo como a ti mesmo.

A religião é importante para muitos, mas não é a única ferramenta que um ser humano deve ter em sua bagagem. A ferramenta principal, a única que garantirá a sua existência em um lugar de felicidade após a expiração de seus sentidos materiais, é o amor.

Que todos tenhamos consciência...

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

As mudanças...

As grandes mudanças embarcam grandes conflitos. A mudança de paradigma para muitos é difícil entender, compreender e até mesmo aceitar. Grandes ícones da história da humanidade enfrentaram grandes problemas até serem aceitos pela sociedade, até que seus novos modelos de pensamento conduzissem a um fim útil.

A mudança é uma ferramenta que estará sempre presente na vida do ser humano. Desde o seu nascimento até a sua morte. A vida é totalmente feita de mudanças.

Quando nascemos, encontramos um mundo totalmente novo do que conhecemos. O mundo onde não mais nos alimentamos pelos meios simples e preguiçosos de um ventre materno. Aprendemos a fazer as necessidades fisiológicas em um lugar específico. Aprendemos falar, engatinhar, andar...

Quando tornamo-nos mais crescidinhos, aprendemos que a vida é diferente da casa que nós habitamos. Que “a vida lá fora” é feita de trabalho, estudos, vitórias e derrotas. É uma enorme mudança de paradigma, talvez a maior de todas! Damos várias cabeçadas em função delas.

Mudamos o nosso paradigma quando temos a nossa primeira paixão, nosso primeiro beijo, nosso primeiro amor. As coisas sempre mudam em função desses acontecimentos.

Quando nos tornamos adultos, constituímos famílias, novos amigos, novos costumes e novas mudanças. Temos que encarar a vida diferentemente de como encarávamos quando crianças e quando jovens. Já somos responsáveis por nossas vidas e pela vida dos que nos são extremamente caros.

Quando morremos, mais uma mudança surge. Mudamos o nosso conceito do que é a vida, do que é a morte e até do porquê de nossa existência.

Tudo na vida muda. Sendo que na maioria dos casos é mais involuntário do que voluntário. Às vezes a vida nos obriga mudar...

Por que as pessoas se espantam quando fazemos uma mudança voluntária? Quando optamos, por exemplo, em parar de beber, de fumar, mudar de profissão, mudar de religião? As mudanças fazem parte da existência, e é extremamente necessária!

Se há mudança, é porque o tempo é chegado. A mudança só aparece quando estamos preparados para abraçá-la. A mudança é uma forma de evolução (ou involução), tanto material quanto espiritual.

Quando as mudanças não são aceitas, pode ser por duas razões: A primeira é que a pessoa está conformada com aquele meio, com aquela pessoa, com aquela situação e não quer se dar o trabalho de fazer uma mudança em si mesma para se adaptar ao que é novo. A segunda é quando se sentem donas da verdade. Acham que não se deve mudar por ser seu ponto de vista "o correto". Aí sim, vem o conflito...

Neste caso, cabe uma reflexão, uma meditação e na redefinição de seus valores. Mesmo que não se concorde com a mudança, deve-se compreendê-la e aceitá-la. Cada um escolhe o que acha ser melhor para si, cada um tem plena consciência de suas mudanças, do que quer para a sua vida. E o mínimo que podemos fazer é respeitar. Se Deus não nos infringe o livre-arbítrio, por que suas criaturas deveriam?

A mudança é tão certa quanto a morte. E, acredite, você ainda vai mudar muito!

Até a próxima...

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Há várias moradas na casa do meu Pai

Independente de credo, fé ou religião, quem nunca parou para pensar se existe vida em outros planetas? Eu pelo menos, quando criança, sempre me perguntava após assistir as aulas de Ciências, quando a professora mostrava a Via Láctea com seus oito planetas: “Será que existe vida nesses planetas? Como seriam os habitantes?”. As respostas obtidas eram sempre as mesmas: “não!” ou “não sei...”.

Hoje já não sou nenhuma criança inocente com relação à imensidão do universo, tampouco um especialista no assunto. Eu cresci, e quando completei meus quinze anos concluí que tinha que existir vida nesses planetas. Não necessariamente aqueles homenzinhos verdes que eram mostrados em filmes e desenhos animados, mas algum tipo de vida que poderia ser superior ou inferior à vida da Terra.

Antes de eu conhecer a Doutrina Espírita tinha a seguinte linha de pensamento: “Se Deus criou o universo, bilhões de galáxias, trilhões de planetas, por que colocaria vida só na Terra? Faria Deus alguma coisa em vão?”. Todas as minhas respostas levavam-me a crer que existia uma espécie de vida em outros globos.

Depois que conheci a Doutrina Espírita, li sobre um assunto que fala sobre a Pluralidade dos Mundos. Lá encontrei, até hoje, a explicação mais convincente que satisfez tanto a minha razão quanto a minha fé. Hoje eu acredito e defendo a existência de vida em outras esferas sob a luz da Doutrina Espírita.

Até hoje os homens tentam buscar alguma forma de vida em outros planetas. Enviam sondas para Marte, para a Lua e nada encontram. A única imagem que reflete nos monitores de vídeo são paisagens desérticas e uma ponta de frustração. Eles devem pensar que a vida que existe na Terra é a mesma que deveria povoar outros planetas. A mesma estrutura biológica, as mesmas necessidades, estrutura organizacional, etc. Os cientistas não levam em consideração a existência do Espírito e que a vida deste é independente da matéria.

Talvez você, caro leitor, pode estar se perguntando: “Como esse louco pode ter tanta certeza disso?”. Simples, eu acredito na verdadeira vida, a espiritual! Além disso, acredito na possibilidade de comunicação com os espíritos que estão livres do invólucro material. Tantas comunicações sérias foram obtidas nos encorajando praticar a caridade a fim de obtermos a vida num mundo melhor. Inclusive no Livro dos Espíritos temos uma passagem interessante falando da comunicação de um habitante de Júpiter. Ele nos conscientiza que a evolução de Júpiter é tamanha que uma criança de, salvo engano, nove anos tem a mesma intelectualidade de um homem de trinta anos daqui da Terra. Como duvidar? “Na casa de meu Pai há várias moradas!”

Vou mais adiante e você pode até me chamar de louco! Nós mesmos podemos estar incumbidos de missões em esferas menos evoluídas que a Terra para apregoar o amor por lá. Por que o amor? Porque fora da caridade não há salvação! E para os nossos irmãos sofredores essa é a luz que eles precisam para saírem daquela condição e virem para o céu relativo às suas moradas: a Terra.

Mas como poderia isso? Ah... Essa é uma questão muito interessante. Embasados na Doutrina Espírita, temos a instrução dos Espíritos que apesar do tormento de estarmos presos nesse envoltório material, privados de exercer todas as faculdades de Espíritos que somos, Deus nos permite, durante o repouso da carne (o sono), que saiamos e retomemos a vida espiritual (emancipação da alma). Vamos ter com amigos, parentes, familiares, etc. Muitos têm missões que podem ser ir até esses planos menos elevados e evangelizar os espíritos por lá.

“Mas como pode? Eles não são menos evoluídos que nós? Certamente a questão da mediunidade pode ser mais limitada do que aqui na Terra e talvez eles não podem estabelecer comunicação com outros Espíritos!”. Bom, isso eu não sei, mas como os próprios Espíritos dizem: “Nós somos mais influenciados pelos amigos espirituais do que imaginamos”. Seja em estado de vigília, seja durante o sono. Muitas vezes podemos estar em comunicação puramente espiritual com os Espíritos dessas esferas para ajudarem-nos a seguir o bom caminho a fim de alcançarem a salvação. Assim como acontece com a gente aqui! Mas vale ressaltar que nem todos os Espíritos “encarnados” nesses orbes são espíritos imperfeitos e impuros, não! Às vezes são Espíritos com missões de evangelizarem, mostrarem o “primeiro passo” para alcançarem a salvação e irem para um mundo melhor, como também acontece aqui na Terra!

Infelizmente com a nossa Ciência Materialista, que carecem de provas tangíveis para afirmarem algo como verdadeiro, não podemos provar isso. Quem sabe com o advento da Física Quântica, que já se desenvolve há um século, não possamos passar a estudar o intangível e o invisível a fim de provar coisas que há tempos foram mantidas como insanas pelos cientistas?

Muita Paz a Todos!

domingo, 29 de julho de 2007

A Fé e a Razão

“Não há fé inabalável senão aquela capaz de enfrentar a razão face a face em qualquer época da humanidade”
(Allan Kardec)


Para alguns não há como unir a razão à fé, para outros o contrário é impossível. Mas eu ouso afirmar que uma não vive sem a outra. E vou tentar convencê-lo(a), por meio da razão, que estou certo.

Quando temos perguntas, submetemos automaticamente as respostas ao crivo da razão. Caso satisfaçam nosso intelecto, aceitaremos, caso contrário rejeitaremos. De acordo com o nosso avanço intelectual, precisaremos de respostas mais avançadas, pois o nosso conhecimento, bem como nossa capacidade de julgar, tornam-se maior.

De acordo com o nosso avanço intelectual aprendemos coisas que aprimoram a nossa razão. Passamos a raciocinar sobre as coisas da vida com mais senso, temos respostas mais sofisticadas às perguntas que antes eram respondidas de forma que o nosso pequeno intelecto pudesse entender. Por exemplo, a reprodução sexual. Dizer que a cegonha trás os bebês para as famílias no seu bico não é, atualmente para nós, racional.

Já ter Fé é acreditar firmemente em algo ou alguém, acreditar que esse algo ou alguém possa satisfazer as suas necessidades. Temos fé em nosso potencial de trabalho, temos fé em nossos pais, em amigos, etc. Sem a fé não teríamos em quê nos firmar, não teríamos em quem acreditar, confiar e expor as nossas necessidades. A fé é o fundamento da nossa vida. Todos têm fé, nem que seja em si próprio. E se essa fé não faz sentido, ela desaba.

Se nós utilizamos a razão para mudar a nossa fé na estrada da vida, por que não usamos a nossa razão para “mudar a nossa fé” com relação à religião?

Muitos dogmas foram quebrados no passado com diversos ícones da História. Jesus, Apóstolo Paulo, Lutero, Einstein, etc. Todos mostraram, embasados na razão, que é possível manter a nossa fé quando temos plena consciência e entendemos em que acreditamos. Entender em que acreditar nada mais é que julgar e compreender o que nos é proposto, e assim, satisfazer o nosso intelecto e consecutivamente a nossa razão.

Quando falamos da espiritualidade, achamos não ser possível unir a fé à razão, pois acreditamos que tudo que está fora da nossa esfera de conhecimento, não é racional. Eu antes diria que ainda não obtivemos conhecimento necessário para compreender o “sobrenatural”. Mas para isso precisamos alimentar o nosso conhecimento para que possamos julgar por nós mesmos, e não pela religião, as novas propostas que nos surgem.

Tomando como base o Cristianismo, podemos citar Jesus como o homem que mais quebrou barreiras e mudou a fé das pessoas com base em novos adventos da razão. Deus enviou a Moisés, ensinou para os homens daquela época que tudo era “olho por olho e dente por dente”. A idéia que os homens tinham de Deus era um ser parcial, devorador e cruel. Para o conhecimento espiritual daqueles homens, naquela época, foi a doutrina que satisfez a razão e conduziu-lhes por vários anos. Porém, mais tarde, Jesus foi enviado dizendo que Deus era infinitamente misericordioso, bondoso e ensinou a pagar o mal com o bem. Isso, de primeiro impacto, gerou um tremendo reboliço na mente da maioria das pessoas, que não compreendiam, pois não fazia sentido para aqueles corações endurecidos. Não satisfazia a razão pagar o mal com o bem. Com o decorrer do tempo, eles foram evoluindo intelectual e moralmente e acabaram entendendo que esse era realmente o caminho. Houve então a primeira grande quebra de paradigma. A abolição da Lei Mosaica.

A fé das pessoas já não estava alicerçada em um Deus parcial, cruel e devorador, mas sobre um Deus brando, humilde, caridoso e justo. Foi um despertar de consciência que veio como água fresca numa seca mortífera - a seca espiritual.

Hoje temos um leque de conhecimento do plano espiritual, provados e comprovados, que são incontestáveis. Milhares de literaturas sérias de caráter filosófico, científico e espiritual (Bíblia, Allan Kardec, Leon Denis, Chico Xavier/André Luiz, Herculano Pires, etc.). Temos a prova de que há materialização de espíritos, reencarnação, comunicação com o plano espiritual, vida após a morte, mediuniade, etc. Tudo está aí, para quem quiser ler e se instruir. Todos que têm humildade e sede de conhecimento obterão o conhecimento, julgarão o conteúdo, provarão, experimentarão e tirarão suas próprias conclusões.

Se hoje as pessoas negam tais fatos, é porque não adquiriram ainda o conhecimento necessário para alimentarem o seu intelecto e, infelizmente, acabam julgando com a razão de uma criança que ainda acredita que a cegonha trás os bebês em seu bico pelos ares.

Falando agora exclusivamente por uma abordagem espiritual, gostaria de parafrasear Jesus; o Mestre disse aos seus discípulos, perto de sua crucificação, que não revelara tudo a respeito do mundo espiritual porque estes não teriam ainda capacidade de compreender. O Mestre disse isso porque sabia da limitação intelectual dos discípulos na época, mas ele arrematou em seguida dizendo que mais tarde enviaria o Consolador, pelo o Espírito de Verdade, para revelar-nos tais coisas. Dito e feito. Através da Doutrina Espírita, que também é a ratificação do Evangelho, veio O Consolador pelo Espírito de Verdade (que é o próprio Jesus) com toda uma falange de trabalhadores espirituais nos ensinando o que já estamos prontos para entender até o momento.

Muitos ainda duvidam, atribuem tal conhecimento ao diabo, como sempre fizeram quando estavam presos aos dogmas do passado. Mas nada melhor que o tempo para fazer com que esse conhecimento já se entranhe na consciência da humanidade e que possam entender vários problemas que assolam a humanidade hoje e não se tem a causa.

Gostaria de finalizar explicando que não estou querendo mudar Deus para satisfazer a nossa razão, muito pelo contrário. Deus é imutável, bem como as suas leis. O que muda é a nossa percepção com relação a Ele, assim tornando nossa fé a cada dia mais inabalável, encarando a razão frente a frente em qualquer época da humanidade.

Gostaria de deixar uma pergunta para reflexão:

"Alguém poderia dizer saber tudo sobre o plano espiritual e mesmo sobre Deus, que ousaria afirmar que não há mais nada a ser revelado à Humanidade?"

Muita Paz!

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Quem criou o Diabo, Deus ou o homem?

Até onde sei, de todas as crenças a única que personifica o Diabo como um príncipe do inferno é a Cristã (protestantes e católicos). Todas as outras não o personificam como um ser responsável por lutar com Deus para conquistar as almas dos humanos.


Mas e a resposta à pergunta lançada no título, qual seria o responsável pela criação de uma criatura destas? Levaremos em consideração duas premissas e analisaremos cada uma separadamente. Deus criou o Diabo e O homem criou o Diabo. Vamos lá...


1) Deus criou o Diabo

Todos nós sabemos que Deus tem atributos que NENHUM outro ser tem. Deus é a inteligência suprema do Universo, causa primeira de todas as coisas, eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom. Todas as leis da natureza são leis divinas, pois Deus é seu autor. Sendo Deus a inteligência suprema, podemos concluir que ele é onisciente. E se Deus é eterno, ele é atemporal. Partindo dessa conclusão, que todos irão concordar, gostaria de conduzir uma linha de pensamento que nos levará a resposta mais lógica e racional. Iremos abordar alguns itens que a Igreja afirma em suas sustentações da existência do Diabo.

O Diabo é um anjo caído: Os anjos são seres perfeitos. Logo se são perfeitos, nunca erram. Tampouco teriam a ousadia de pensar em tomar o lugar do Soberano Deus. Sabendo disso, o Diabo era um anjo?

O Diabo é o príncipe do inferno: Se o Diabo é o príncipe do inferno, Deus criou o inferno e o Diabo, pois Deus é o criador de TODAS as coisas. Vamos analisar com calma duas assertivas que se sustentaram durante séculos.

  • Como se acredita, o Diabo tem o papel de lutar contra Deus para ver quem conquista mais almas na humanidade.
  • Com base no livre arbítrio o Diabo influencia o homem para o mal e, de acordo com o mal que faz, terá sua alma jogada no inferno para sempre.

Ambas as assertivas têm falhas gravíssimas. A primeira delas quebra de uma só vez dois dos atributos de Deus: ser misericordioso e onipotente. Vamos ver como.

Ter misericórdia é perdoar os pecados, dar a chance do arrependimento independente do tamanho do erro. Se um Pai sabe perdoar seus filhos, imagina o Deus que está nos Céus. O Deus Infinitamente misericordioso! Comparar Deus aos homens é dizer que Deus não é Deus. Além disso, onde estaria a Justiça de Deus em cobrar de nós algo que Ele mesmo não cumprisse? Ele não nos ensinou através de Cristo que devemos perdoar nosso irmão setenta vezes sete vezes, ou seja, quantas vezes forem necessárias?

Ser onipotente é ser o único ser poderoso de tudo que existe. O supremo, o maior, o inigualável. De acordo com a antiga crença, o Diabo também tem poderes capaz de influenciar os homens para o mal e levá-lo ao tormento eterno. Se isso fosse verdade, teríamos dois seres com iguais poderes, sendo que um devotado ao bem e outro ao mal. Isso faz sentido pra você?

A segunda falha quebra o atributo da onisciência de Deus. Se Deus criou o Diabo sabendo que ele faria todo esse estardalhaço que a antiga crença diz, onde estaria a bondade de Deus?

Fazendo uma analogia: "Se você tem um filho, você colocaria uma cobra venenosa e traiçoeira para partilhar morada com ele? Se você, que é falho(a) e cheio(a) de erros sabe discernir o que é bom para seu filho, por que Deus não saberia, visto que ele é detentor de toda a sabedoria do universo?"

O Diabo é aquele que tentou Eva: Acreditar que o Diabo tentou Eva é acreditar que Adão e Eva foram os primeiros humanos a habitarem a Terra. Se não existia homem antes destes, o mal também não existia, visto que o mal só foi colocado na humanidade depois que Eva comeu o fruto proibido. Mas essa teoria pode ser quebrada na própria Bíblia onde no livro de Gênesis é dito que Caim, após matar Abel foi para outra cidade onde tomou sua esposa e teve filhos. Se Adão e Eva só tiveram Caim, Abel e Seth, que terra seria essa que já tinha habitantes? Com certeza a intenção de Moisés ao ser inspirado por Deus para psicografar tal acontecimento, foi ter pensado numa forma de tentar ensinar o povo (ignorante) da época o princípio da criação do planeta somente, visto que naquela época eles nem imaginavam que existia o universo tampouco outros planetas e jamais poderiam compreender essa imensidão - que também é criação Divina.

Não paramos por aí, ainda com relação ao estabelecimento do mal na humanidade, cronologicamente, desde Adão até Jesus Cristo temos aproximadamente quatro mil anos, onde aproximados seis mil anos seria a idade do planeta Terra. E a História diz (e comprova arqueologicamente) que a Terra já era habitada por homens na Pré-História há mais de trezentos mil anos. Certamente estes homens (selvagens) que viveram na Pré-História brigavam entre si por alimento, por sexo, por territórios devido ao nível de evolução moral ser muito baixo. Se o mal não existisse nessa época, o homem viveria pacificamente sem precisar brigar por nada e nem seriam selvagens. Onde então foi criado o mal da humanidade?

Você já consegue imaginar Deus criando o Diabo?

Vamos para a outra abordagem.



2) O homem criou o Diabo

Como sabemos, a Bíblia tem centenas de citações que variam entre os seguintes termos: Diabo, Demônio e Satanás. Todos esses termos têm significados que expressam algo totalmente diferente do que é dito pela doutrina católica e protestante. Vamos a elas:

Diabo: tudo que é contrário a Deus. A luxúria, a ganância, o adultério, etc.

Demônio: originado do grego daemon. Significa espírito e pode ser bom ou mal. Pelo fato de o Novo Testamento ter sido escrito em grego, utilizou-se este termo;

Satanás: é a representação de tudo que é mal. Todas as escolhas erradas que o homem faz. O Satanás é o mal, como também o é o diabo;

E de onde vem aquele homem de chifres, vermelho, que tem rabo de seta e usa um tridente? Boa pergunta...

A Igreja Católica por acreditar ser a única de Cristo, queria que todos fizessem parte dela. E os santíssimos papas nos diversos conselhos que houveram, decidiram fazer um mix dos deuses pagãos e de outras crenças (contrárias ao catolicismo) para criar um ser horrendo que as pessoas tivessem medo, isso por volta do século III. Daí criou-se a encarnação de Satanás e o inferno de fogo ardente. A igreja pregava que todos os que professavam uma fé diferente daquela habitaria no inferno para sempre sendo tentado por Satanás no inferno. Além de fiéis, ganhou muito, mas muito dinheiro sustentando essa mentira no decorrer dos séculos (pesquisar sobre a Reforma de Lutero).

Depois disso o Diabo tomou diversas outras formas, onde uma delas foi a representação racista de um homem negro de barbas. Isso devido às crenças afro-descendentes não serem monoteístas e não professarem a mesma fé católica. Daí então se atribuiu outros nomes ao Diabo como, por exemplo, Exú, Tranca-Rua, entre outros, para representarem as entidades afro-religiosas deturpando o seu real sentido.

E agora que você sabe disso, consegue uma resposta à pergunta lançada? Quem criou o Diabo, Deus ou o homem?

Então quem faz o mal afinal?

O mal quem faz é o próprio homem em suas escolhas erradas. Ele, com o seu livre arbítrio, escolhe um caminho diferente daquele que segue a perfeição divina. Escolhe caminhos que ao invés de levarem a Deus, levam-no à sensualidade, ao materialismo, à ganância e toda sorte de sentimentos que nos distancia da Divina Providência. Mas devido à infinita misericórdia de Deus, o perdão sempre nos é dado e uma nova chance de pagar por nossos pecados é concedida, seja nessa ou noutra vida. (Vide Reencarnação: uma questão de Justiça).

Claro que também somos tentados por espíritos infelizes e imperfeitos. Assim como existem homens que não gostam de ver o nosso sucesso, os espíritos, que nada mais são que as almas dos homens, também não ficam satisfeitos quando estamos no caminho correto e tentam de toda forma nos influenciar para o mal. Mas com o nosso avanço intelecto-espiritual nós ficaremos menos susceptíveis a essas tentações. A prece, no nosso estado atual de evolução, é o meio mais eficaz de nos abstermos dessas más influências.

Muita Paz!

domingo, 8 de julho de 2007

Anjos: Seres a parte da criação?

Os anjos estão presentes em diversas crenças, principalmente no protestantismo e no catolicismo onde exercem um papel fundamental. Para estes, os anjos são seres perfeitos, puros e trabalham em prol da vontade divina. Que são perfeitos e trabalham para o Grande Arquiteto do Universo, não há dúvida, mas será que eles sempre foram perfeitos desde a fundação do mundo?

Crer que os anjos são e sempre foram seres perfeitos é acreditar que Deus tem predileção entre seus filhos. Como Deus é justo, certamente ele não tem preferência por ninguém, mas ama a todos igualmente. Todos são seus filhos e fomos criados com o mesmo objetivo: evoluir rumo à perfeição.

Os anjos nada mais são que espíritos que caminharam na escalada evolutiva antes de nós, que optaram por andarem em um caminho reto e, finalmente, alcançaram o objetivo do Grande Deus. Os anjos são espíritos (em essência) iguais a nós, porém com um avanço intelectual e moral muito maior do que o nosso.

Por que os anjos não sofrem aqui na Terra? Para essa pergunta a resposta é simples. Ou eles já eram evoluídos no momento da criação do mundo ou já percorreram a estrada da evolução antes de nós. Por isso, o sofrimento deles consistem unicamente em nos ajudar a caminhar no mesmo caminho que eles caminharam um dia. Sofrem cada vez que nos desviamos do caminho e ficam felizes a cada degrau que subimos nessa escada tão longa. Então, de certa forma, eles ainda sofrem conosco. E muito!

Para a teoria puramente Criacionista os anjos são seres que optaram por não se infectarem com a maldade do Lúcifer, anjo que seria responsável pela queda de terça parte dos anjos do céu por querer passar a frente de Deus. Porém, para essa teoria eu tenho alguns argumentos que creio serem suficientes para provar que o sentido dado a essa alegoria não está correta.

Para Deus, existem diversos atributos, onde um deles é ser Onisciente. Ser Onicisciente é o mesmo que dizer que é único sabedor de todas as coisas. Além de ser atemporal, ou seja, um Ser que não tem as limitações do tempo. Juntando a Onisciência com a Atemporalidade, podemos prever com total certeza o que o futuro nos reserva. Com tais atributos saberíamos de antemão que ao criarmos um ser, saberíamos toda a vida dele, toda a estrada que ele percorreria, decisões, de todo o seu futuro. Logo Deus sabia que o tal Lúcifer iria se rebelar contra ele. E mais, que levaria parte do Seu rebanho para a inferioridade do homem. Por que então criariar-se-ia um ser que arrebanharia para o mal os Seus filhos? Seria o mesmo que um pai criar um leão no quintal de casa com seus filhos. E a Onisciência? E a Atemporalidade? Onde ficam? E os que foram fracos e influenciados para o mal, seriam jogados no inferno de chama de fogo ardente para arderem eternamente? Deus por acaso é um homem tomado pela vingança igual a nós, seres terráqueos?

Pensarmos que somos anjos caídos não está condizente com os atributos de Deus. A interpretação dada à Palavra de Deus já levantou guerras e guerras, já enganou muita gente e levou bastante gente pra fogueira. Isso por não usarem da razão para avaliarem o que realmente estaria escrito nas entrelinhas. Razão esta que é um presente que Deus nos deu para diferenciarmos o que é certo do que é errado.

Digo ainda que Deus nos criou simples e ignorantes, sem qualquer resquício de maldade ou bondade. Fomos criados sua forma e semelhança (em espírito) e começamos a caminhar na estrada da evolução. De acordo com o livre-arbítrio que Ele nos concedeu, fizemos as nossas escolhas, tanto para o bem quanto para o mal. E hoje estamos aqui. Se sofremos, é único e exclusivamente por nosso merecimento pois, em algum tempo de nossa existência fizemos as escolhas erradas e estamos aqui para corrigí-las e chegarmos ao status de anjo em algum dia da eternidade.

Muita Paz!